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Organizações
de saúde e o governo estão promovendo campanhas para que
as gestantes optem pelo parto normal
A primeira cesariana em que mãe
e filho sobreviveram só foi realizada em 1794, nos Estados Unidos.
Na década de 40, a cesariana tornou-se uma cirurgia utilizada com
sucesso em partos de alto risco. Atualmente ela é tão comum
que médicos e organizações de saúde estão
preocupados com a substituição do parto normal pela operação
cirúrgica.
Nos Estados Unidos, 25% dos partos são realizados por cesariana.
Segundo Ashley Hill, médico do departamento de obstetrícia
e ginecologia do Florida Hospital, a chance da mãe morrer durante
uma cesariana é de 20 para cada 100 mil. "Embora este não
seja um número especialmente alto, é bem superior ao do
parto normal", afirma. No Japão, a porcentagem de cesarianas
é de 8% do total de partos, e no Reino Unido, 10%. Por que a diferença
entre os países é tão grande? Segundo pesquisa realizada
pela Universidade Brown, nos Estados Unidos, os médicos e gestantes
optam pela operação porque o parto normal pode demorar mais.
No Brasil, um levantamento feito
em 1997 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) revelou que 36%
dos bebês nasciam por cesariana. O elevado índice de cirurgias
preocupou o Ministério da Saúde, que tem realizado, por
meio do SUS, a campanha "Parto Normal é Natural". Essa
ação está incentivando médicos e gestantes
a ver o parto normal como primeira opção para os nascimentos.
O Ministério da Saúde, limitou em 35 os partos cirúrgicos
reembolsados pelo Governo. Caso a maternidade supere esse número
terá de arcar com as despesas. Para incentivar o parto normal,
o Governo passou a reembolsar os analgésicos utilizados e o valor
pago nesse procedimento. Em um ano, o número de cesariana caiu
4,1%.
Com a campanha em andamento, já é possível verificar
alguns resultados. Na região norte de Minas Gerais, a Maternidade
Caldas Barbosa iniciou um programa de qualidade em assistência à
gestante. Com a implementação da iniciativa, a porcentagem
de cesarianas caiu de 41% para 25% em 3 anos. Esse índice, apesar
de alto, é considerado aceitável, pois a Maternidade Caldas
Barbosa presta assistência à mulheres que apresentam gravidez
de alto risco.
A cesariana só se torna um bom procedimento quando há riscos
para mãe ou filho. Em relação ao parto normal, apresenta
de 7 a 20 vezes mais chance de infeções e complicações
para a mãe. Em cirurgias marcadas com antecedência, a chance
da mãe ter alguma hemorragia é 8 vezes maior, pois o útero
não segue o curso natural dos acontecimentos.
Por que a cirurgia é tão usada por médicos? O motivo
mais alegado é o tempo de espera até o nascimento do bebê.
O parto normal pode durar até 10 horas, enquanto a cesariana leva
em média 40 minutos. Entre os médicos, a cesariana é
chamada "Parto-Guarujá", já que permite a "previsão"
do nascimento do bebê, principalmente às quintas-feiras.
Outro fator é a falta de informação das gestantes,
que acham a cesariana um processo indolor. Entretanto, a recuperação
é mais lenta que no caso do parto normal.
O Amparo Maternal, hospital de São Paulo que atende gestantes sem
condições financeiras, realiza certa de 35 partos por dia.
O diretor, Emílio Ferranda, diz que não se pode desprezar
o parto cirúrgico quando há risco para a mãe. "Mas
aqui esperamos para analisar qual é a melhor solução
para cada caso, porque nós não trabalhamos com pressa".
O Governo Federal acaba de indicar o Amparo Maternal como centro de formação
de mão-de-obra especializada para o parto normal.
Fonte: INTERPRENSA - ANO
IV - Número 36 - www.interprensa.com.br
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saúde e o governo estão promovendo campanhas para que as
gestantes optem pelo parto normal
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